Simpósio Internacional: Arquitecturas da Água
última actualização em: 2010-07-02

Considerando as restrições orçamentais ao investimento transmitidas pelo Ministério das Finanças aos organismos da Administração Central do Estado, para o resto do ano de 2010, a Direcção Regional de Cultura do Norte, decidiu adiar, para o primeiro semestre do ano de 2011, a realização do Seminário Internacional "Arquitecturas da Água".
Lamentando a situação informaremos quando houver decisão em relação à nova data de realização.
A interacção do homem com a água deixou-nos um acervo patrimonial imenso, em contínua renovação, que é agora pretexto para uma reflexão sobre o Vale do Douro.
Condição e essência da vida, a água é o elemento que define e aglutina o território duriense. Pela presença gigante e «excessiva» do rio que lhe dá nome, mas também pela adaptação sábia à escassez, que obrigou a um trabalho de rendilhado engenhoso e paciente, de que a paisagem inteira é testemunha. Em volta das arquitecturas da água propomos quatro temas e quatro modos de olhar o património associado à água: sistemas hidráulicos, aproveitamentos hidroeléctricos, pontes e arquitectura termal.
Sistemas hidráulicos - o primeiro tema, da condução.
A propósito da circulação sanguínea, já se comparou o corpo humano a uma máquina hidráulica. Na terra, a água desenha uma trama capilar de canais e conductos, com os quais se vai tecendo uma malha de vários níveis, de subidas e descidas, idas e retornos: é o desenho dos labirintos de água, que ora se descobrem em noras e azenhas, ora se escondem entre poços e minas. São sistemas onde a inteligência da vida se espraia, estando sempre a água presa em movimento.
Aproveitamentos hidroeléctricos - o segundo tema, da contenção.
A ampliação dos excedentes (ou oposto mas o mesmo: a gestão da escassez) pode ser a missão histórica do capitalismo. A possibilidade da água ser como um tesouro turbinado confirma a ideia de ?oferta-procura? e a transformabilidade de um bem essencial em transacionável, de massa líquida presente, a energia transferível, pulsar da sociedade. São aproveitamentos de sobras fabricadas, em locais barricados onde antes águas feras construíam outras paisagens.
Pontes - o terceiro tema, da suspenção e travessia.
A pressão do arco - sabemos agora - não é apenas para baixo, é também lateral: cada vez mais finos pilares fustes esvanecem-se. O rio é simultaneamente uma fronteira e uma linha de coesão, um limite irrisório ou assustador, em que o engenho se opõe à corrente e se eleva em arco, em fuga e fusão com o céu e a terra.
Arquitectura termal - e por fim, o tema do contexto e emersão.
A relação do corpo com a água, numa hipótese panteísta, ilustra a sua breve devolução à natureza. A possibilidade da água ser como um veículo e os banhos da cura e do profilático uma viagem, entre a saúde e o bem-estar - mas mais além -, multiplicam ad infinitum os subtextos legiveis, de antes e de hoje. São os lugares que ficam, arquitecturas do tacto, depois dos usos e hábitos ritualizados, das práticas solitárias e relacionais, do privado, do público e do social.
Submissão de propostas de comunicação
As propostas de comunicação deverão ser enviadas até 31 de Agosto de 2010, para:
arquitecturasdaagua@gmail.com
Informações
Ana Araújo - arquitecturasdaagua@gmail.com ; Direcção Regional de Cultura do Norte, Praceta da Carreira, 5000-560 Vila Real ; 259 330 770 / (fax) 259 330 779
As línguas do simpósio serão português, castelhano e inglês
Valor da inscrição
25 euros - com acta
10 euros - estudantes (sem acta)
Comunicantes isentos de pagamento
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