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14 Fev. 2019 Centenário da Morte de João Penha O Arquivo Distrital de Braga (ADB) e a Biblioteca Pública de Braga (BPB) estão a assinalar os 100 anos da morte do poeta e advogado João Penha com exposições, uma conferência e um recital.


João Penha introduziu no país a corrente literária do parnasianismo, dirigiu as publicações "A Folha” e "República das Letras” e foi parte ativa da Geração de 70, a par de figuras como Eça de Queirós e Antero de Quental.

João Penha tem o seu espólio documental à guarda da ADB e BPB, ambas unidades culturais da UMinho. No átrio da BPB pode desvendar-se até 22 de março as publicações do autor, incluindo de caráter jurídico, ensaios, prefácios, artigos em periódicos, edições sobre a sua obra, cartas e conteúdos sobre o movimento académico-cultural da Geração de 70 ou de Coimbra. Dá-se ainda relevo a periódicos que dirigiu e à "A Chronica” a si dedicada em 1902, que teve 50 colaboradores.

A curta distância, na sala de exposições do ADB, há para ver manuscritos literários, colaborações na imprensa e correspondência deste vulto da cultura portuguesa, nomeadamente missivas com Camilo Castelo Branco e Bernardino Machado, a carta de membro aceite na Academia Real das Ciências, o seu assento de nascimento e óbito ou os livros póstumos "Últimas rimas” e "O canto do Cisne”. A entrada nas exposições é livre nos dias úteis, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

Conferência na sexta-feira

Entretanto, o ADB recebe esta sexta-feira, dia 15, às 18h00, a conferência "Em pé, erguido n’um marmóreo sócco: evocação de João Penha no centenário da sua morte”, por Elsa Pereira, do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. A oradora fez o doutoramento no Porto com uma tese sobre a obra de João Penha, já publicada, e tem em mãos a edição crítico-genética da poesia de Pedro Homem de Mello, entre outros trabalhos sobre cultura e literatura portuguesa. O programa prevê ainda um recital com poemas penhianos, interpretados pelo Sindicato de Poesia, no próximo dia 21 de março, às 18h00, no salão nobre do Largo do Paço, em Braga.

Sobre João Penha

João Penha Oliveira Fortuna (1839-1919) cursou Teologia e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, cidade onde se fez poeta e dirigiu "A Folha”, tendo Guerra Junqueiro entre os colaboradores. Voltou depois a Braga para exercer advocacia e magistratura. O seu nome é evocado num busto e num largo em Braga e numa rua da Póvoa de Varzim, local onde passava férias. Publicou cinco livros de poesia e prosa. O seu mérito literário foi secundado devido a outros nomes cimeiros da Geração de 70 e de Orpheu, na visão das autoras Amália Ortiz da Fonseca e Estela Guedes. Para Camilo Castelo Branco, Penha deu "ao soneto um cachet nacional, que ele nunca tivera desde a languidez petrarquista de Camões até ao rufo de zabumba e caixa dos sonetos bocagianos”.