03 Ago. 2018Intervenção de Restauro da Torre Semafórica e Telegráfica da CantareiraIniciou-se, recentemente, a empreitada de recuperação da Torre Semafórica e Telegráfica da Cantareira, no Porto.
Iniciou-se, recentemente, a empreitada de recuperação da Torre Semafórica e Telegráfica da Cantareira, no Porto, que inclui trabalhos no espaço imediatamente adjacente do Instituto de Socorros a Náufragos. Esta parcela foi cedida pelo Ministério da Defesa/Marinha através de colaboração protocolada com a Direção Regional de Cultura do Norte.
A empreitada integra o Projeto de Valorização do Farol-Capela de São Miguel-O-Anjo, destinado à musealização dos dispositivos já desativados da Barra do Douro: o Farol, edificação quinhentista, primeira porta da cidade para quem demandava por mar, marca e referência de enfiamentos para a entrada no Douro, que perdeu funções como farol no séc. XVII; e a Torre Semafórica e Telegráfica, cuja construção teve início em 1852, destinada ao serviço de comunicações telegráficas e de sinais ópticos entre terra e mar para controlo da entrada e saída de embarcações comerciais, desativada desde os meados do séc. XX.
As obras em curso, no valor de 147.595,00 €, a que se seguirá a empreitada de conservação e restauro da construção quinhentista, são promovidas pela Direção Regional de Cultura do Norte e enquadradas por protocolo de colaboração entre a Associação Comercial do Porto, a Administração dos Portos do Douro e de Leixões e a Direção Regional de Cultura do Norte, num esforço financeiro tripartido, mas também de um comum e alargado entendimento entre várias instituições quanto à valorização do sítio.
A intervenção global conta com projeto do Atelier15, coordenado pelos Arquitetos Sérgio Fernandez e Alexandre Alves Costa. Pretende-se proceder à conservação e restauro do Farol-Capela de São Miguel-o-Anjo, tendo como finalidade última a abertura ao público e criação de um pequeno núcleo expositivo que enquadre historicamente o sítio e o monumento.
Sobre o Farol/Capela de São Miguel-O-Anjo
O Farol-Capela de São Miguel-O-Anjo, no Porto, é uma peça de arquitetura marítima de valor singular no panorama patrimonial, primeiro farol construído de raiz em território nacional.
Classificado em 1951 como Imóvel de Interesse Público, o Farol encontra-se fechado e em muito mau estado de conservação, devido à salinidade do ar, ao desgaste natural de quase 500 anos de vida, às mutilações provocadas pelo encosto dos outros edifícios e por usos espúrios.
O objetivo geral da intervenção a realizar pela Direção Regional de Cultura do Norte visa, conforme referido, a conservação/restauro do edifício do Farol e a sua valorização, incluindo-se nesta a abertura ao público e a criação de um núcleo expositivo.
O Farol/Capela foi construído por volta de 1528, por iniciativa e a expensas de D. Miguel da Silva, embaixador do rei junto do Papa, Bispo de Viseu e Abade Comendatário do Mosteiro de Santo Tirso.
O Mosteiro de Santo Tirso detinha desde o séc. XII a jurisdição do Couto de S. João da Foz, o que explica a relação territorial e de interesses.
D. Miguel, na qualidade de embaixador do rei de Portugal em Roma, conheceu de perto o refinamento cultural que se respirava nas cortes italianas de cinquecento. No regresso a Portugal trouxe consigo Francisco Cremonês, na qualidade de arquiteto privado, o qual foi responsável pelo risco das várias obras empreendidas pelo prelado, dentro das quais se inscrevem a Igreja de S. João da Foz e anexo Paço Abacial, bem como o Farol de S. Miguel-O-Anjo e dispositivos escultóricos da entrada da Barra do Douro.
O Farol foi desativado nos meados do séc. XVII, mantendo-se ao uso apenas como Capela. Mas o isolamento e a própria implantação foram alterados.
À estrutura quinhentista adossaram-se dois edifícios: o dos Pilotos da Barra do Douro, construído em 1841 e a Torre Semafórica ou Telégrafo, levantada poucos anos mais tarde, por iniciativa da Associação Comercial do Porto. E os rochedos onde fundava o farol ficaram afundados no molhe construído nos finais de oitocentos, no âmbito das obras de beneficiação da Barra.
Instrumentos de medição foram entretanto associados, aproveitando a plataforma do molhe: o marégrafo e o anemómetro, o primeiro para a altura das marés e o segundo para a velocidade dos ventos. Por último, foi adossada à plataforma uma rampa de acesso, destinada a barcos de pesca e de socorros a náufragos.