Castelo de Castelo Melhor
  • Castelo Melhor
  • Castelo Melhor
  • Castelo Melhor
  • Castelo Melhor
  • Castelo Melhor
  • Castelo Melhor
  • Castelo Melhor
Localização 41.043595 | -7.073641
Povoação de Castelo Melhor 5150-109 Vila Nova de Foz Côa, Guarda
Informação Útil
PreçoVisita Livre
Contactos
+351 226 197 080
geral@culturanorte.gov.pt
O chamado castelo de Castelo Melhor é composto por um perímetro muralhado de planta circular, rodeando o topo de um monte destacado na paisagem.

No interior do recinto localizava-se um povoado datável da Idade Média (século XII-XIII), tal como as estruturas defensivas que o protegiam. Mais tarde os moradores abandonaram o reduto da cerca e fixaram-se na zona baixa um pouco mais para norte, estabelecendo a actual povoação.
Ler Mais
O castelo de Castelo Melhor é um dos melhores exemplos de fortaleza medieval secundária, erguida numa das zonas mais periféricas dos reinos peninsulares. A obra original é leonesa e remonta aos inícios do século XIII, altura a que corresponde uma intensa fortificação da linha de Riba-Côa, zona constantemente disputada pelos monarcas português e castelhano. Foi neste contexto que Afonso VII, em 1209 ou 1210, mandou construir a fortaleza, dando-lhe simultaneamente foral, numa tentativa de consolidação populacional e militar, que se veio a revelar de relativa importância nos dois séculos seguintes. Menos de um século depois, com o Tratado de Alcanices (1297), Castelo Melhor passou para a coroa portuguesa, integrando, a partir daí, a raia nacional. D. Dinis, como prova de afirmação do novo espaço, empreendeu obras e dotou a vila de um novo quadro administrativo, mas a verdade é que Castelo Melhor não cessou de desempenhar um papel secundário e periférico, mesmo na linha de reforço militar de Riba-Côa. Deste estatuto menor dão conta as obras patrocinadas por D. Dinis. Apesar das transformações e ruínas posteriores, que impossibilitam uma melhor análise das obras góticas, elas ter-se-ão limitado à reformulação do "sistema de entrada do castelo, cuja porta passou a estar enquadrada por dois torreões de planta quadrangular" (BARROCA, 2000, p.224), solução muito frequente nos castelos dionisinos, pelo impacto cenográfico e pelo símbolo de autoridade régia que transmitiam. Paralelamente, manteve a estrutura geral do perímetro muralhado, com uma cerca de planta genericamente circular e um só torreão adossado, "voltado ao povoado, protegendo a única vertente por onde o acesso era possível" (IDEM, p.224). A 12 de Junho de 1298, D. Dinis confirmou os foros concedidos por Afonso IX, evitando, assim, qualquer mudança brusca no sistema de vivência e de organização dos homens vinculados à vila, mas não parece sequer ter dotado o castelo de uma torre de menagem (IDEM, p.224). A história posterior do Castelo de Castelo Melhor é a de uma progressiva decadência. No final do século XIV, no contexto da guerra peninsular empreendida por D. Fernando, há notícias de o conjunto ter sido objeto de algumas beneficiações, certamente tendo em conta a posição estratégica face à linha de fronteira. Na centúria seguinte, com a associação de algumas das mais importantes famílias nobres às alcaidarias dos castelos, a fortaleza passou para a posse dos Cabral, estirpe que detinha também a alcaidaria de Belmonte (GOMES, 1996, p.57). Mas se, em Belmonte, esta família construiu o seu paço, em Castelo Melhor, a ter existido, nada parece ter restado. Durante a época moderna, a povoação passou a ser sede de condado (1584) e, posteriormente, a cabeça de marquesado (1766), estatutos de prestígio que pouco tiveram que ver com a relevância do seu velho castelo. Integrado no concelho de Almendra (também ele extinto em 1855), Castelo Melhor chegou aos nossos dias como uma das nossas mais impressionantes ruínas medievais de carácter militar. À margem das grandes intervenções restauracionistas da primeira metade do século XX, constitui um dos poucos castelos não adulterados pelas vagas de restauro e um dos que poderá trazer mais informação acerca da Baixa Idade Média.
IPPAR / IGESPAR

Fechar Fechar