Capela de São Frutuoso de Montélios
  • Capela de São Frutuoso de Montélios
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Localização N 41°33'37" W 8°26'21"
Avenida São Frutuoso 4700 – 291 Braga
Informação Útil
HorárioDas 10h00 às 16h00.
Contactos
+351 927 211 812 | +351 226 197 080
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Esta capela é um exemplar único da arte romano-bizantina no país e é considerado um dos mais fascinantes monumentos da alta idade medieval da península ibérica. A data de construção não está esclarecida. Se durante algum tempo se pensou estar diante da capela-mausoléu de São Frutuoso, hoje são mais fortes os argumentos que apontam para uma cronologia a rondar os inícios do século X, quando o culto do bispo foi renovado, no âmbito do repovoamento de Afonso III. O Convento de São Francisco, do século XVII, manteve a capela como anexo. Apresenta uma planta centralizada, de quatro absides articuladas em redor de um cruzeiro quadrangular.
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A pequena capela de Montélios deve a sua existência a São Frutuoso, bispo de Dume e de Braga durante a época visigótica, que aqui escolheu ser sepultado, na década de 60 do século VII. À sua volta existia um conjunto monástico bem maior, centro religioso da região neste período, mas que terá sucumbido, muito provavelmente no início do século XVI, quando se procederam às obras de reedificação do Mosteiro por parte dos franciscanos. A capela de planta centralizada, de quatro ábsides iguais articuladas em redor de um cruzeiro quadrangular, é o único elemento de todo o conjunto monástico, datado da Alta Idade Média, que chegou até hoje. Ela constitui um testemunho ímpar em território nacional, sem aparentes semelhanças com outras obras altimedievais próximas, facto que tem levado a interpretações e datações antagónicas para o monumento. Com efeito, se durante algum tempo se pensou estar diante da capela-mausoléu de São Frutuoso, hoje são mais fortes os argumentos que apontam para uma cronologia a rondar os inícios do século X, quando o culto do bispo foi renovado, no âmbito do repovoamento de Afonso III. A primitiva edificação, de época visigótica, seguiu um modelo orientalizante (ravenaico-bizantino), vigente na capital do reino, Toledo: planta em cruz grega; exterior decorado com arcos cegos, alternadamente de volta perfeita e em mitra; torre quadrangular sobre o cruzeiro, com cobertura em quatro águas. No século X, reconquistada a região e iniciado o repovoamento, a capela foi objeto de uma reconstrução, que lhe conferiu o aspeto interior que hoje possui. As ábsides, que eram de planta interna quadrangular, passaram a ter a forma semicircular, e à entrada de cada uma construiu-se uma tripla arcada de arco em ferradura, verdadeira iconostase, que compartimenta o espaço de acordo com a liturgia hispânica, então em vigor. Esta poderá ser uma leitura do conjunto remanescente, mas a verdade é que não existem certezas quanto às suas partes constituintes, em especial a ascendência de tão pequenas ábsides dotadas de falsos deambulatórios (pois no solo ainda existem marcas de bases de colunas). A qualidade e erudição do seu programa arquitetónico, por outro lado, aponta para um só projeto construtivo, concebido e realizado num único momento. Neste sentido, se as semelhanças com o templo da Gala Placídia de Ravena são ainda decisivas, a identificação de um ajimez e a evidência de a torre cruzeira ter possuído um friso de arquinhos cegos são dados que comprovam a contemporaneidade em relação a uma parte significativa da arquitetura hispânica do século X. O próprio classicismo da construção, visível nos recursos construtivos e decorativos do templo, aponta para uma corrente artística cujas manifestações maiores datam da primeira metade do século X, e cuja implantação foi particularmente importante na faixa ocidental da península. O debate entre "visigotistas" e "moçarabistas" estendeu-se ao restauro do conjunto. Numa primeira fase, e sob o comando de João de Moura Coutinho, o monumento foi intervencionado tendo como modelo as construções tardo-antigas de Ravena. Para isso, chegaram a reproduzir-se elementos decorativos, iguais a outros aparecidos aquando da desmontagem de numerosas construções adjacentes. No entanto, o arrastamento do processo por parte da DGEMN e, especialmente, o aparecimento do ajimez, determinou a paralisação dos trabalhos e o consequente abandono do projeto. Apesar das posteriores tentativas, o restauro nunca foi concluído, ficando a obra inacabada ao nível das coberturas e de alguns enchimentos das paredes, facto ainda hoje bem visível para quem visita a capela. Na sua pequenez, Montélios é um dos mais fascinantes monumentos altimedievais peninsulares, simultaneamente aparentado com obras mediterrânicas dos séculos V-VI e IX-XI. Independentemente dos rumos futuros da historiografia, permanecerá como obra incontornável nos estudos dedicados à Alta Idade Média ocidental.
Adaptado de: IPPAR / IGESPAR

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    Serviços disponibilizados ao público:
    • Visita mediante marcação Mosteiro de Tibães