Igreja do Mosteiro de Leça do Balio
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Localização 41.210123 | -8.623497
Rua do Mosteiro 4465-703 Matosinhos, Porto
Informação Útil
HorárioTerça: Das 14h às 17.30h |
Quarta a domingo: Das 9.30h às 12.30h / das 14h às 17.30h. Encerra no 3º fim de semana de cada mês.
Contactos
+351 226 197 080 | +351 919 164 439
dsbc.drcn@culturanorte.gov.pt
O mosteiro de Leça do Bailio representa a primeira sede da Ordem do Hospital em Portugal, e, em conjunto com a igreja, constitui uma das primeiras construções góticas do país de grande qualidade e monumentalidade.

Com alguns elementos do primeiro edifício românico, este conjunto revela uma planta em U que foi alvo de várias intervenções modernas e contemporâneas. Com duas torres a ladear a fachada principal, o mosteiro foi recuperado após a sua aquisição em 1923, por Ezequiel de Campos que, para além de restaurar a ala Norte e Oriental do Mosteiro, procedeu à construção de uma parte nova na parte sul mediante o gosto gótico.
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Uma antiga tradição refere que aqui existiu um primeiro edifício religioso pré-românico, construído no século X, mas de que nenhum elemento chegou até nós. Nos primeiros tempos da nacionalidade, pelos meados do século XII, D. Afonso Henriques doou o couto de Leça à Ordem do Hospital, a primeira Ordem Militar documentada em território português. A construção que atualmente observamos não data do século XII, apesar de, nessa altura, se ter edificado um mosteiro românico. O imponente edifício fortificado que sobreviveu até hoje é uma construção gótica, datado da primeira metade do século XIV, e impulsionado por Fr. Estêvão Vasques Pimentel, falecido em 1336 e que se fez sepultar, em campa rasa, diante do altar. Por essa data, portanto, depreende-se que a cabeceira estaria em adiantado estado de construção, ou mesmo já terminada. São duas as correntes artísticas dominantes neste monumento, aparentemente em contradição estética e funcional entre si, mas, um tanto paradoxalmente, aqui integradas de forma harmoniosa. De um lado, o esquema planimétrico e volumétrico mendicante aplicado às igrejas. De outro, a máscara de fortificação e de poder que caracteriza exteriormente o edifício. Em planta, o modelo mendicante é claro: três naves, organizadas em cinco tramos, sendo o último uma espécie de transepto inscrito, marcado apenas em altura; a divisão do espaço é feita através de grossos pilares, de perfil cruciforme pelo adossamento de colunas nas suas quatro faces; a cabeceira é tripla, com uma capela-mor mais profunda que os absidíolos, e de secção nascente poligonal. Se a estas características se juntar a cobertura em madeira das naves e o abobadamento em cruzaria de ogivas da cabeceira, temos um conjunto de indicadores que remetem para aquele modelo mendicante, que gozou de enorme sucesso na nossa arquitetura gótica, desde a igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar, até praticamente ao século XVI. Exteriormente, contudo, é uma outra linguagem estético-artística que vinga. A existência de merlões a toda a roda do edifício, de um caminho de ronda, de um balcão defensivo sobre o portal principal, ameado e dotado de matacães, e, principalmente, de uma robusta e grandiosa torre a ladear a fachada principal, pelo lado Sul, conferem a este monumento um estatuto ímpar na arquitetura religiosa gótica no nosso país, e colocam-no como principal exemplo do núcleo de igrejas-fortificadas então construídas. Muito se tem já escrito sobre este carácter militar do templo de Leça do Bailio, discutindo-se, especialmente, se se trata de uma igreja-fortificada, se de uma igreja-fortaleza. O que parece claro é que a Ordem dos Hospitalários, em pleno século XIV, optou por um modelo construtivo religioso, de forte carácter militar, numa época em que a linha de fronteira que alimentava o antagonismo reconquistador estava bastante afastado. Tal facto justifica-se pelo objetivo de "representação retórica da força" (PEREIRA, 1995, vol. I, p.388), tão característico de uma Ordem Militar, e tão efetivo numa zona em que os detentores de poder eram ainda as velhas famílias de Infanções. A estrutura militar de todo o conjunto foi também já interpretada como um sinal de arcaísmo do projeto, cujas abundantes massas pétreas contradizem muito do que foi a origem do Gótico. Tal leitura, todavia, apresenta-se hoje demasiado redutora, face ao complexo e erudito programa construtivo que foi seguido. Idênticas cautelas devem ser tomadas em relação aos capitéis das naves. O facto de ostentarem temas historiados, fez com que alguns autores tenham reconhecido um fundo românico na sua execução. No entanto, o Gótico continuou a utilizar a decoração figurativa em capitéis, e ainda que o granito tenha determinado uma maior simplificação das formas, estes capitéis correspondem a uma religiosidade já bem Gótica, como o atesta a crucificação de Cristo, em detrimento da natureza essencialmente divina do filho de Deus, que domina a iconografia românica.
IPPAR / IGESPAR

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